Boas Intenções
Há não muito tempo atrás eu falei sobre um livro chamado Administração de Organizações Sem Fins Lucrativos, de Peter Drucker. O primeiro capítulo da Parte 2 desse livro chama-se “Conversão de Boas Intenções em Resultados”, e começa assim:
A instituição sem fins lucrativos não está meramente prestando um serviço. Ela não quer que o usuário final seja um usuário, mas sim um executor. Ela utiliza um serviço para provocar mudanças em um ser humano. Neste sentido uma escola, por exemplo, é muito diferente da Procter & Gamble. Ela cria hábitos, visão, compromisso, conhecimento. Ela procura tornar-se parte do receptor, ao invés de uma mera fornecedora. Até que isso aconteça, a instituição sem fins lucrativos não teve resultados; ela teve somente boas intenções.
Pois bem, se observarmos o post anterior deste blog (De Fora Para Dentro) podemos completar uma lacuna: nosso objetivo em uma organização sem fins lucrativos, ao invés de vender um produto, é “provocar mudanças em um ser humano”. Então, por extensão, podemos considerar que todos os seres humanos devem ser os “clientes” de uma org. sem fins lucrativos?
Obviamente a resposta é “não”. Uma org. sem fins lucrativos existe para servir a uma determinada comunidade. Consideremos o Conselho Branco, por exemplo. Ele existe para que os fãs de Tolkien tenham um lugar para realizar atividades diversas relacionadas à obra desse autor. Dentro do Conselho Branco nós temos um grupo de contadores de histórias, a Casa de Vairë. De vez em quando os contadores visitam escolas e hospitais para contar histórias para crianças e idosos. Agora vem a pergunta: quem o Conselho Branco quer beneficiar com esse projeto?
Se você respondeu “as crianças”, está errado! “Éca, Slicer, você é tão grosso que chega a dar nojo!” você deve estar pensando, mas eu sou completamente honesto. Quem quer ajudar as crianças e os idosos é o contador, você, eu, mas não a “instituição Conselho Branco”. A mesma coisa acontece com os escoteiros que ajudam na vacinação das crianças com menos de 5 anos, ou que ajudam na Campanha do Agasalho: O “cliente” do Movimento Escoteiro é o próprio escoteiro.
O que o Conselho Branco e o Movimento Escoteiro, enfim, qualquer organização sem fins lucrativos quer então? Eles querem nutrir em você um senso de civismo, a vontade de ajudar o próximo e, desta forma, mudar você, transformá-lo num entendedor, promotor e executor do Caminho (Lei Moral) de Sun Tzu, garantindo a você e a aqueles que você conseguir cativar o domínio sobre um dos cinco valores constantes que governam a arte da guerra, grantindo sua sobrevivência e subsistência, assim como a de sua família, e da família de seus empregados e da dos seus prestadores de serviço também. Afinal de contas, não existe economia sem o cliente.