Cortando a Película

Não faça o que você não sabe fazer

Enviado em Devaneios by Rodrigo Jaroszewski em Abril 28th, 2008

Sabe aquele erro que você comete várias e várias vezes? Quando você estraga alguma oportunidade por ficar passivo? Ou por ser agressivo além da conta? Ou por entrar sempre em um novo mercado na hora errada? Abrir uma empresa sem capital de giro suficiente? Um projeto conjunto em que se passam cinco ou seis anos e nenhum planejamento foi feito? Alguma dessas coisas acontece com vocês diversas vezes, muitas vezes sem você perceber que está cometendo o mesmo erro até que, finalmente, o tenha cometido?

Eu descobri que cometo um, quase todo ano: sempre concordo em fazer o que eu não sei fazer.

Em 2000 concordei em ser webmaster do meu esquadrão virtual de Red Baron 3D. Eu não sabia montar a estrutura de navegação de um site na época, e por isto falhei.

Em 2003 concordei em ser administrador de um fórum de Tolkien, a Ordem de Eä, com a incumbência de trazer discussões para a área de línguas. Como descobri, não sei criar discussões, e a minha “Casa” falhou em seu propósito.

Em 2004 concordei em ser moderador da área de Tolkien do fórum Ponei Saltitante. Não percebi que minha incumbência era (novamente) trazer discussões àquela área, e que é óbvio que não sei trazer discussões.

Também em 2004 concordei em ser Coordenador Cultural da Toca RS. Não percebi que a minha incumbência era vender a idéia de que vale a pena gastar seu tempo livre para fazer uma atividade coletiva sem retorno financeiro apenas por uma realização ideológica. Eu não sei inspirar as pessoas a fazer coisas em conjunto, porque eu mesmo não faço as coisas dessa forma! Resultado? Falha…

Em 2006 concordei em ser Diretor Cultural do Conselho Branco. Mesmo problema da coordenadoria cultural.

Em 2007, percebendo meu erro, fui para a Diretoria Técnica e fiz um outro: disse que trabalharia no site, confiante que desta vez eu sabia estruturar a navegação do site. Encontrei algo que de início já era evidente: o site é muito mal construído (para os padrões de hoje). Assumir aquele trabalho era como chamar um decorador para serviço de pedreiro. Eu não sei construir a codificação de um site em ASP, muito menos mexer em um banco de dados, o que me fez falhar. Eu sabia disso, e mesmo assim fui em frente.

Aqui no trabalho eu percebi que entrei na mesma roubada há umas duas semanas atrás: aceitei um trabalho que não sabia fazer. Era com banco de dados, que nem no Conselho Branco, e eu ainda assim entrei na onda.

Depois de oito anos, seria de se esperar que eu houvesse aprendido a lição. Mas não aprendi. Com sorte, escrevendo o problema em algum lugar, eu consiga resolvê-lo permanentemente.

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