11.28.05
Os “Assassinatos” relacionados ao RPG
TERESÓPOLIS
Em 14 e 20 de Novembro de 2000, na cidade de Teresópolis (RJ), duas garotas de 14 (Iara dos Santos Silva) e 17 (Fernanda Venâncio Ramos) anos foram estupradas, torturadas e estranguladas com um intervalo de seis dias entre os crimes.
Sônia Ramos, 42, madrasta de Fernanda, a segunda vítima, levantou a suspeita de que as atrocidades pudessem estar ligadas ao jogo por pura ignorância e desespero, porque sua filha (a VÍTIMA) era jogadora de RPG e andava na companhia de outros garotos que jogavam GURPS e Vampiro (sua alegação se baseou no fato de que sua filha andava as voltas “com pessoas que se fantasiavam de vampiros”).
Inclusive a polícia chegou a prender injustamente um jogador de RPG, que não vou falar o nome porque o coitado era inocente e não merece ter seu nome publicado, mas que passou quatro dias na cadeia por causa deste absurdo.
O verdadeiro assassino das garotas, HUMBERTO VENTURA DE OLIVEIRA, de 25 anos, confessou o crime 6 dias depois da prisão do RPGista; era o jardineiro da casa e NUNCA sequer passou perto de um livro de RPG.
A imprensa irresponsável, assim como no caso famoso da “Escolinha Base”, foi muito rápida em divulgar versões fantasiosas sobre o “jogo da morte”, mas NUNCA publicou uma linha sequer se desculpando com os 400.000 jogadores de RPG que foram ofendidos em sua moral e prejudicados diante da sociedade.
OURO PRETO
No dia 10 de outubro de 2001, Aline Silveira Soares viajou do Espírito Santo com sua prima e alguns colegas para Ouro Preto para participar da “Festa do Doze”, que é uma espécie de Carnaval fora de hora entre as faculdades da região, com R$40,00 e a roupa do corpo para passar três dias.
Segundo o laudo, Aline consumiu drogas durante o dia anterior ao de sua morte. Esta informação foi confirmada por diversas testemunhas que também participavam da festa, em Ouro Preto (testemunhas que foram solenemente ignoradas pelo delegado Adauto Corrêa após as investigações tomarem o rumo circence). Aline não tinha dinheiro e acreditou que conseguiria fugir do traficante sem pagar pela droga que consumiu, mas no dia de sua morte (14 de Outubro de 2001), foi abordada pelo criminoso no caminho de volta para a república onde estava hospedada (o cemitério fica exatamente no meio do trajeto entre o local da festa e a república). Testemunhas (que também foram ignoradas no inquérito oficial) disseram ter visto Aline conversar com um conhecido traficante da cidade na porta do cemitério algumas horas antes de sua morte.
De acordo com especialistas em crimes relacionados a drogas, Aline provavelmente teria se oferecido para ter relações sexuais com o traficante para pagar a dívida, pois as roupas da garota foram encontradas “cuidadosamente dobradas e dispostas ao lado do local do crime, sem nenhum indício de violência ou de coerção”. Aline tomou o cuidado de deixar suas sobre uma das lápides, dobradas com a jaqueta por baixo, para que não sujassem.
Ainda segundo o laudo oficial da perícia técnica, durante a primeira facada que Aline recebeu, o corpo estava na posição acocorada, popularmente conhecida como “de quatro”. Segundo especialistas em crimes de estupro, o traficante provavelmente teria tentado obrigar Aline a realizar sexo anal, que possivelmente foi rejeitado pela garota, resultando no primeiro golpe com a faca. O traficante, tendo ferido Aline seriamente, não viu alternativa a não ser terminar de matá-la. Para disfarçar, o assassino colocou o corpo de Aline em posição deitada sobre a lápide (pelas fotos da perícia e rastros de sangue, pode-se atestar que o corpo foi movido APÓS a sua morte) para tentar atrapalhar as investigações.
Quando o corpo foi encontrado, os policiais começaram as investigações pelos locais em que Aline se hospedou e em uma das repúblicas foram encontrados alguns livros de RPG, que o delegado, evangélico confesso, classificou como “material satanista”. A partir disto, um vereador oportunista chamado Bentinho Duarte (sem partido) viu nisso uma chance de se promover realizando terrorismo psicológico e, junto com o Promotor Fernando Martins (conhecido por ter tentado proibir a distribuições de jogos como Duke Nuken e Carmagedon), moveu ação contra as empresas Devir Livraria e Daemon editora tentando a proibição de 3 títulos (Vampiro: a Máscara, Gurps Illuminati e Demônios: a Divina Comédia).
Resumindo: um crime que não teve nada a ver com RPG, mas sim com DÍVIDA DE DROGAS resultou até agora na prisão de 4 garotos injustamente (que NÃO são jogadores de RPG, fato comprovado pela mãe da vítima em depoimento ao vivo na rede Bandeirantes de TV) e um completo show de aberrações e absurdos na mídia.
GUARAPARI
Polícia Civil do Espírito Santo prendeu, na noite de 12 de Maio de 2005, dois acusados pelo assassinato do aposentado Douglas Augusto Guedes, da mulher dele, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, e do filho do casal Tiago Guedes, em Guarapari. Os corpos dos três foram encontrados amarrados e deitados em camas no dia 5 de maio. Na mesma data, eles foram sepultados.
O delegado da Divisão de Homicídios de Guarapari, Alexandre Linconl, evangélico, disse ao Portal Terra que os assassinos MAYDERSON DE VARGAS MENDES, 21 anos, e RONALD RIBEIRO RODRIGUES, 22, confessaram que eles mataram a família motivados pelo jogo, mas essa “confissão” não ocorreu imediatamente após o crime.
O crime que Mayderson e Ronald cometeram é o de LATROCÍNIO QUALIFICADO E PREMEDITADO, ou seja, mataram para roubar de uma maneira cruel e sem dar chance de defesa às vítimas, com premeditação. Esse é um crime hediondo, sendo julgado e condenado diretamente por um juiz criminal. Ambos os acusados já tinham ficha criminal (ambos estão respondendo processo por Porte ilegal de Arma)
O que o advogado de defesa da dupla estava fazendo era alegar que eles cometeram o crime influenciado pelo jogo e, com essa ação, tentar reverter o crime para Homicídio Simples, baseado no tal jogo que ninguém sabe o que é. Com isso, os assassinos iriam para um júri popular, que poderia ser muito bem influenciado por todo esse novo circo que a mídia sensacionalista armou e, jogando a culpa em cima do RPG, poderia até inocentar os “pobres coitadinhos vítimas do jogo” Mayderson e Ronald…
O que tem de ficar bem claro é o seguinte: os criminosos entraram na casa, apontaram armas para Tiago e sua família, doparam a família sob a mira do revólver, levaram o garoto até o caixa eletrônico onde roubaram R$ 4.000,00 de sua poupança e depois executaram friamente a família com tiros na cabeça, para não serem reconhecidos. A história do “RPG” só apareceu dois dias depois que os assassinos foram capturados pela polícia, sob orientação do advogado de defesa da dupla.
É bom lembrar, já que a mídia “esqueceu”, que, graças à intervenção da Daemon Editora e da conversa de Marcelo Del Debbio, escritor especialista em Role Playing Games, com o delegado de Guarapari ao vivo em uma entrevista na Rede Bandeirantes de TV, o advogado de defesa da dupla abandonou o caso, deixando os dois criminosos sem advogado à espera de um defensor público.
Com estes textos, podemos começar a nos defender dos três falsos “crimes do RPG”. Já está na hora destas informações serem passadas para jornalistas sérios que queiram nos ajudar a fazer a verdade aparecer.
Abraços fraternais
Daemon Editora
Rafael Kerubas disse,
10/10/2006 às 10:46 pm
Cara, depois de anos presenciando estas atrocidades com jogadores é extremamente perceptível que a mídia sempre está atrás do “grande furo” e por fim, não informa, não esclarece e nem ajuda. Lembro-me bem dos meus livros de Vampiro, Nood, Lobisomem, escaparem por um fio da fogueira.
Além de toda a situação judicial, é interessante salientar que na mesma época que ocorreu o crime, uma das emissoras que transmitiram todo o alarde lançou um jogo de cartas baseado na novela “O Beijo do Vampiro”, que por “coincidência” utilizava um glossário semelhante aos de nossos fantásticos jogos do World of Darkness.
Slicer disse,
11/10/2006 às 12:09 am
Pelo que a Dragão Brasil noticiou na época, o jogo era da novela O Clone. Mas mesmo assim foi bem interessante a escolha de tema para a novela das 7…
O que se tornou óbvio é que a Globo (ou quem quer que estivesse por trás disso) subestimou os RPGistas, pensou que nós eramos só um bando de fedelhos descerebrados, como o público alvo desses jogos. Imagino a surpresa deles ao descobrir que existiam RPGistas advogados…
ARIMOTOKIKA disse,
19/10/2007 às 5:26 pm
Em 14 e 20 de Novembro de 2000, na cidade de Teresópolis (RJ), duas garotas de 14 (Iara dos Santos Silva) e 17 (Fernanda Venâncio Ramos) anos foram estupradas, torturadas e estranguladas com um intervalo de seis dias entre os crimes.
ERRADO – As datas estão erradas, o mês esta errado e a sua narrativa tambem!
Os crimes ocorreram em 04 e 11 de OUTUBRO DE 2000, o intervalo entre os sequestros e mortes foram de SETE DIAS.
A mãe de FERNANDA NUNCA DISSE E NINGUEM NUNCA PROVOU QUE FERANADA JOGASSE OU ANDASSE COM NINGUEM QUE JOGASSE RPG. Ela só andava com a familia e ia a escola com o irmão, apenas 2 anos mais novo que ela. NUNCA teve se quer uma falta nos 3 anos que estudou no Colegio Edmundo Bittencourt.
Quem denunciou o tal “MESTRE DE RPG” foram as mães de outros 3 jovens que tvm desapareceram e haviam sido levados por este “Mestre de RPG” para um casarão abandonado e la, segundo declarações destes jovens a Polícia lhes ofereceu drogas, alcool e sexo e depois ensinou-lhes a fugir da cidade. ISTO ESTA EM TODOS OS PROCESSOS.
A mães de FERNANDA, apenas declarou que NÃO GOSTA DESTE JOGO e acha que o que esta escrito nos Livros deveria ser seguido SÓ SER VENDIDO PARA MAIORES, pois nçao considera apropriado para crianças, principalmente a MANEIRA COMO ERA JOGADO NA CIDADE POR ESTE GRUPO, em Cemitários e Casarões abandonados, com o uso de álcool e drogas para menores. ISSO NÃO SÃO SUPOSIÇÕES, FORAM FATOS COMPROVADOS PELA POLÍCIA E MINISTÉRIO PÚBLICO.
NÃO EXISTE NENHUMA IGNORÂNCIA NISTO, NEM DESESPERO, apenas constatações de FATOS REAIS. NÃO ADIANTA TIRAREM UM PEDACINHO DE TEXTO ALI OUTRO ACOLÁ. Se querem fazer qualquer tipo de declaração usando NOMES REAIS, devem pedir autorização a pessoa de quem estão falando, ou pelo menos procurarem saber melhor do que estão falando e não apenas copiar textos que leu em qualquer lugar e coloca-lo como dito por alguem a quem mal conhecem.
EU SOU REAL, OS CRIMES DE TERESOPOLIS FORAM REAIS E DESTRUIRAM 5 CINCO FAMÍLIAS E AINDA NÃO HOUVE JULGAMENTO, ENTÃO NÃO EXISTEM CULPADOS OU INOCENTES…
FALEM A VERDADE! NÃO É NECESSÁRIO TENTAR DENEGRIR O NOME DE NINGUEM PRA ENALTECER UM JOGO. E COLOQUEM MINHA DECLARAÇÃO NA ÍNTEGRA, NÃO TENHO MEDO E NEM MOTIVOS PARA ME ESCONDER.
VC GOSTA DE JILÓ? NÃO, EU GOSTO. E NEM POR ISSO VOU TE OBRIGAR A COMER… ASSIM É TBM COM O JOGO, EU NÃO GOSTO, É UM DIREITO MEU, VIVEMOS EM UM PAÍS – D E M O C R Á T I C O – RESPEITEM.
NÃO FUI EU QUEM DENUNCIOU O JOGO E NEM O SEU MESTRE DE RPG.
Sonia Ramos – mãe de FERNANDA VENÂNCIO RAMOS
ARIMOTOKIKA disse,
19/10/2007 às 5:35 pm
COMPLEMENTANDO
O HUMBERTO VENTURA foi apenas um “bucha” que a Policia tentou colocar para tapar buraco e encerrar o caso, MAS FOI COMPROVADO QUE ELE NADA TEM A VER COM OS CRIMES E TUDO O QUE DECLAROU FOI A BASE DA “PORRADA” e assim, qualquer um declara qualquer coisa…
E SE ACHAM QUE A IMPRENSA É IRRESPONSÁVEL, MAIS IRRESPONSÁVEL É QUEM ACUSA FAMILIAS JA TÃO ULTRAJADAS PELA DESGRAÇA E TENTAM IMPUTAR A UMA MÃE ALGO QUE ELA NÃO FEZ.
VOLTO A DECLARAR: – QUERO QUE PROVEM QUE FUI EU QUEM DENUNCIOU O TAL ” MESTRE DE RPG” E CASO NÃO POSSAM, QUE SE RETRATEM PUBLICAMENTE, COMO DESEJAM QUE A REPORTER FAÇA.
ELA SÓ NOTIFICOU O QUE OS JOGADORES DAQUI DECLARARAM, E TEVE MUITAS TESTEMUNHAS DESTAS DECLARAÇÕES, SE ELES QUERIAM APRECER, CONSEGUIRAM, POR ISSO VOLTEM SUAS ACUSAÇÕES PARA ELES.
Slicer disse,
19/10/2007 às 6:21 pm
Como o direito de resposta é sagrado para mim, os comentários se mantém. Só gostaria de saber o verdadeiro nome de “ARIMOTOKIKA”, como uma cortesia. O meu nome pode ser lido aqui.
Deown disse,
30/11/2007 às 8:48 am
“Testemunha” a justiça brasileira não se importa como deveria, tirando conclusões precipitadas (Vejo isso como falta de respeito) botando palavras em nossas bocas algo conturbador, a midia sempre querendo audiencia às vezes atrapalha a todos, mas quem está por fora não sabe do fato somente oque é passado pela mídia. Os pais sempre ficam muito confusos, por isso a aproveitação da Policia. Bem, “Delegado Evangelico” Tenho esperiencias com Protestantismo e sei que eles repreendem as coisas apenas por esta fora da igreja eles não querem ver o “Real lado”, pois seria algo como trair suas crenças (Nada mais além dos olhos da igreja) Preconceito , Corrupção em geral Injustiças esta em todo lugar até mesmo na igreja. “Não adianta botar a culpa no Rpg” Muito obrigado.
Coca disse,
26/05/2009 às 12:07 am
Algo que me deixa muito triste é o fato de algumas pessoas agirem como mães que protegem de forma exagerada seus filhos menores, todas (a maioria) acham que seus filhos só fazem uma coisa de errado se alguém os influenciar. É como se achassem que esses garotos não pensassem e não tivessem capacidade de planejar toda essa trama se não jogassem o RPG.
Pânico moral « O Criador de Jogos disse,
16/06/2009 às 1:45 am
[...] Desde os primordios dos jogos eletrônicos, existiu gente contra por algum motivo ou outro, o mais comun sendo que jogar aparentemente é perder tempo, não fazer nada, mas em 20 de abril de 1999, ocorreu o massacre da escola de Columbine, um evento infeliz, provavelmente causado por causa da depressão e abuso em relação aos assassinos, mas que rapidamente se tornou em uma caça as bruxas as criações dos dois Johns, Wolfenstein 3D e DOOM, criadors por John Carmack (programador) e John Romero (projetista) rapidamente ficaram mais famosos, virou moda na contracultura, e critica-los e todos os seus descendentes é moda na cultura desde então. Cada geração de jogos de tiro, desde DOOM, até FEAR 2, é acusada de causar violência na sociedade real, apesar das taxas de crime descendentes, e o pânico se expalha através de outros tipos de jogos, até mesmo os não eletrônicos, como paintball e RPG de mesa. [...]
Oferecendo a outra face | d3system disse,
17/06/2009 às 3:09 pm
[...] casos. O problema é que ele é meio tendencioso pro lado do RPG e as justificativas utilizadas geraram muitas controvérsias, mas se você souber filtrar a coisa e tirar suas próprias conclusões, ambos os links (o da carta [...]
thiago rodrigues disse,
24/06/2009 às 8:06 pm
estas infomaçoes nao dadas pela midia foram uma falta de respeito com os leitores e ouve uma grande ingnorancia pelos delegados que deveriam procura a verdade e ate hoje estas falsas informacoes sao divulgadas amplamente pela globo o que demostra total derespeito ao telespectador
ana christina disse,
8/07/2009 às 7:46 pm
Há muitos anos percebo que a mídia busca colocar o RPG como algo negativo e arma um circo com isso – a primeira vez foi quando vi uma reportagem de domingo do Globo sendo feita numa livraria em que a reporter queria q tirassem a foto de um cara cheio de anéis e tatuagens (essa nunca saiu) – no artigo final aparece uma mesa coberta de livros mais um garoto em cima, rodeado por outros garotos com “objetos” interessantes nas mãos como facas e taco de basebol.
Na extinta TV Manchete anos atrás ela fez no programa de domingo uma grande reportagem sobre RPG, na qual aparecia a loja mais conhecida aqui no Rio de Janeiro, a Gibiteria e Bárbaras Magias.. a primeira parte falava como o RPG era, mas a segunda parte foi um pesadelo… incluiu artigos feitos por movimentos anti-rpg e até o filme Mazes & Monsters com Tom Hanks e psicólogos falando mal do rpg. A dona da loja ficou muito danada com o q aconteceu.
Por tudo isso nos fórums mais conhecidos se instrui aos usuários que prestem atenção ao serem entrevistados, pois eles manipulam as informações.