11.16.05
Traduções e tradições
Estava a ler hoje o Andúnië e percebi que na área do fandom havia movimento em um tópico há muito tão vivo quanto um vampiro, sobre as Cartas. Pus-me a ler integralmente o tópico. Fiquei assombrado.
Great Scott! — como diria o Dr. Emmett Brown. O que aconteceu conosco? Sabe, há alguns anos atrás eu costumava falar daquele jeito, mas com o tempo descobri que não é sadio de maneira alguma. Não somente sadio é falar de outra maneira, como muito mais verdadeiro! Vamos ser honestos conosco, a Valinor revolucionou as comunidades tolkienianas, aflorou como a mais famosa entre todas no período dos filmes e, por fim, serviu como base para formação de grupos, por bem ou por mal. Inclusive o Andúnië, embora indiretamente. Também precisamos ser honestos que fama não é o mesmo que uma qualidade moral impecável, mas a vida até agora mostrou-se incapaz de manter pessoas de moral indubitável longe do caminho da megalomania. E acreditem ou não, creio que não seja o caso do Deriel. Preferiria até mesmo não comentar sobre sua índole, mas considero que “profissionalmente” (se podemos chamar a administração da Valinor uma profissão), conheço poucas pessoas tão capazes na área, embora confesse que não é o perfil de gerente que eu procuraria para um clube de fãs. Fato é que a Valinor está reduzindo seu tamanho e seu movimento enquanto aumenta sua capacidade de criação.
E aí chegamos na tão falada tradução das Cartas — que tem ela de tão horripilante assim? É muito interessante notar que a aversão criada em torno de traduções tolkienianas se embasa em fortes pilares: a omissão de parágrafos, um deles fundamental para os estudos; a quase coloquialidade do vocabulário utilizado pela tradutora da Martins Fontes na obra-prima do Professor; por fim, a própria profissão de lingüista do autor, criando uma história rica em detalhes somente notados em sua língua original. Mas de maneira alguma eu advocaria contra as traduções: elas são necessárias para a popularização dos trabalhos. Não advoco a favor também: nada é igual ao original. É importante, sim, mostrar ao público geral a outra face de Tolkien, uma pessoa que redigia meticulosamente e, até certo ponto, aberta ao diálogo sobre sua obra. Por outro lado não é tão importante ao ponto de constatarmos que alguém que não compre a tradução publicada pela Arte & Letra seja digna de um chute no rosto. Ai de mim que consulto um Contos Inacabados emprestado! Com as perspectivas de vendas piores do que na época em que este foi lançado, será que sou um dos vilões apontados como inimigos do fandom? Acho que não. Afinal, o mesmo voto popular que indicou as picuinhas destaque negativo do fandom presenteou-me com dois Eleni Valinóreva. Dois, aliás, que considero uma honra e uma desgraça ao mesmo tempo. Mas culpo quem pelo nível nulo de discussões na área? O fandom por não ler o Curso de Quenya? Eu, por não ter advocado em prol deste à época do lançamento? Ou constatamos a verdade: Poucas pessoas se interessam e virão a se interessar em tal assunto, e muito menos tornar-se-ão interessadas se não pararmos de preocuparmo-nos tanto com o tamanho de nosso fandom e começarmos a produzir algo?
É gente, trocando de assunto e continuando no mesmo, a chapa da qual participo(ei) venceu o referendo e tornar-se-á a nova Diretoria Nacional do Conselho Branco. Enquanto isso, a Toca RS tenta descobrir qual é a melhor maneira de trocar idéias. O azarão é qualquer outra que não seja a lista, se me perguntarem.
Para terminar por hoje, 33 mortos nas estradas do RS neste feriadão. Que continue assim! O bom dos panacas no trânsito é que eles mesmo se matam. É claro, nesse meio-tempo inocentes morrem também, mas não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos. Talvez o dia em que esse pessoal perceba que não damos a mínima sobre a sua habilidade em alta velocidade, o ronco do motor dos seus carros rebaixados e que, de maneira geral, não damos a mínima se eles morrerem ou não, eles comecem a perceber a “verdadeira verdade que estamos a fim de saber”: a vida deles importa somente a eles. Consciência não é o tipo de coisa que se compra em uma concessionária.
Teresopolitana disse,
23/11/2006 às 6:20 pm
Sinto informa-lhe, mas a estória que vc contou sobre as meninas está deturpada. O assassino das meninas até hoje está impune, e todos suspeitam de um cigano chamado Cigano Paulo Bianch Yanovich.
Informe-se melhor antes de passar a informação. Em relação ao RPG, creio q td que é demais, estraga. Talvez o crime não esteja ligado aos jogadores, porém a vida q os jovens levavam na cidade não era uma vida saudável.
Espero q reconte a estória com os fatos verídicos.
Desde já, obrigada
Slicer disse,
23/11/2006 às 9:42 pm
Pode até estar errada, mas está no post correto ao menos, ao contrário do seu comentário.
Se quiser que eu poste “informações verídicas”, é só enviar as evidências. Neste momento, “Teresopolitana”, eu prefiro a versão da Daemon Editora, que tem CNPJ, um dono que tem um nome (Marcelo del Debbio), que precisou se defender judicialmente e, portanto, teve de ir atrás dos fatos para fazê-lo. Os fatos que eles agruparam estão no meu post.
Quando você tiver um nome, um rosto e fatos de verdade, é só falar comigo.