Impressões de um cidadão comum
Um cidadão comum, um eleitor, decidiu comprovar pessoalmente o que acontece no Congresso. Assistiu a algumas sessões da Câmara dos Deputados e depois escreveu o texto que reproduzo abaixo. Leia. É breve, mas interessante:
“Entrei pela primeira vez nos tão sagrados quão disputados salões. (…) Dentro de pouco tempo, sentia verdadeira indignação ao assistir ao lamentável espetáculo que se desenrolava ante meus olhos. Estavam presentes centenas desses representantes do povo, que tinham de tomar atitude sobre uma questão de importância econômica. (…) Era uma massa agitada, que gesticulava e gritava em todos os tons. Um velhote inofensivo se esforçava, suando por todos os poros, para restabelecer a dignidade da casa, acionando uma campainha, ora falando com benevolência, ora ameaçando.
Tive de rir.
Algumas semanas mais tarde, tornei a aparecer na Câmara. O quadro estava mudado. A sala completamente vazia. Dormia-se, lá embaixo. Alguns deputados bocejavam. Um deles ‘falava’. O vice-presidente da Câmara, visivelmente aborrecido, percorria a sala com os olhos.”
Graças a essas visitas e mais um conjunto de reflexões, o autor do texto concluiu pelo “absurdo dessa instituição chamada parlamento”.
Mas ele não se referia ao Congresso brasileiro, como parece. Referia-se ao Reichstag, o parlamento alemão. O texto foi publicado em um livro, há mais de meio século. Título da obra: Mein Kampf. Na última flor do Lácio, inculta e bela: Minha Luta. Autor: Adolf Hitler.
Como se vê, as críticas de Hitler aos políticos e ao Congresso não são diferentes das que se lêem e se ouvem hoje, no Brasil do século 21. Há 80 anos, Hitler não compreendia (ou não queria compreender) o que os críticos de hoje ainda não compreendem: que o Congresso é o espelho da sociedade. Que o que acontece na Câmara é a reprodução do que se passa nas ruas, nas casas, nas empresas, nos trailers de xis-galinha.
As pessoas se dizem tristes com o que ocorre em Brasília. Deviam estar felizes. O Brasil finalmente começa a se enxergar como de fato é, e não está dissimulando: há um princípio de depuração. O Congresso merece parabéns. O Congresso está fazendo o que tem de fazer. Porque a democracia é assim mesmo: assimétrica e confusa. Como o ser humano. Mas, agora se sabe, é melhor conviver com a turbulência e as imprecisões da democracia do que com todas as certezas e a exatidão que um dia impôs ao seu país o autor do texto acima.
David Coimbra - Zero Hora 23/09/2005
Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town
Nossa, fui procurar essa música (que é minha preferida do Pearl Jam) na internet por uma tradução, só para passar para uma pessoa com a qual estava conversando, já que não sou bom em traduções instantâneas. Cheguei à página do Terra e… Não gosto nem de lembrar…
Bem, por isso fiz a tradução eu mesmo. Espero que esteja aceitável, embora nada se compare à original.
Eu acho que reconheço seu rosto
Memorável, familiar, mas não consigo encaixá-lo
Não consigo encontrar a vela da lembrança para iluminar seu nome
A idade está me alcançando rapidamente
Todas essas mudanças acontecendo, queria ter visto o lugar
Mas ninguém jamais me levou
Corações e pensamentos desaparecem, vão embora (2x)
Juro que reconheço sua respiração
Memórias, como digitais, estão se elevando lentamente
Eu você não reconheceria, pois não sou como antes
É difícil quando você está preso na prateleira
Eu mudei por não mudar em nada, a cidade pequena prevê meu destino
Talvez seja isso que ninguém quer ver
Eu só quero gritar… alô…
Meu Deus, faz tanto tempo, nunca sonhei que voltaria!
Mas agora você está aqui, e eu estou aqui.
Corações e pensamentos eles vão… embora.
Corações e pensamentos desaparecem, vão embora (2x)
Corações e pensamentos vão… embora…
Corações e pensamentos desaparecem, vão embora (3x)
Corações e pensamentos vão…